Bandas que Merecem o Mundo: MUSAPHONIA
Diretamente de Portugal, os Musaphonia compartilham a sua história, o lançamento de "GRITO" e a paixão por criar um metal sinfônico profundamente ligado às suas raízes.
Há bandas que fazem música. Outras criam atmosferas. Os Musaphonia pertencem à segunda categoria.
Vindos de Portugal e formados em 2022, os Musaphonia vêm construindo uma identidade singular dentro do metal sinfônico, unindo a força das guitarras e da bateria à grandiosidade dos arranjos orquestrais, sem abrir mão das suas raízes culturais e da riqueza da língua portuguesa.
O resultado é uma sonoridade intensa e envolvente, onde peso, emoção e imaginação caminham lado a lado. Influências que transitam entre o rock, a música clássica, o metal e elementos da tradição musical portuguesa ajudam a moldar um universo próprio, capaz de transportar o ouvinte por paisagens sonoras que alternam entre a melancolia, a reflexão e a grandiosidade épica.
Atualmente, a banda vive uma nova etapa da sua trajetória com o lançamento de "GRITO", um álbum que representa a maturidade artística dos Musaphonia e que vem sendo apresentado ao público através de uma tour de divulgação. Entre temas como "Maré Negra", "Saudade", "Angústia" e "Superstição", o grupo constrói uma obra marcada por emoção, identidade e personalidade.
Foi precisamente essa autenticidade que chamou a atenção da Metal World Web Radio.
No quadro "Bandas que Merecem o Mundo", atravessamos o Atlântico para conhecer mais de perto a história, as influências, os desafios e os sonhos de uma banda que tem vindo a conquistar o seu espaço com talento, dedicação e uma clara paixão pela música.
Convidamos agora os nossos leitores e ouvintes a embarcarem nesta viagem dalém-mar e a conhecerem melhor os Musaphonia.
Sejam muito bem-vindos à Metal World Web Radio.

Para começarmos, contem-nos um pouco da história dos Musaphonia. Como surgiu a banda e como foi o processo de reunir músicos com influências tão diversas?
Musaphonia: Os Musaphonia nasceram em 2022 da vontade de criar algo que ultrapassasse as fronteiras tradicionais dos géneros musicais. O projeto teve início com Chrys, Roger, Sol e Léo. Para além da ligação musical, existe também uma forte ligação familiar entre alguns dos membros fundadores: Roger é pai de Chrys, Sol é irmã de Roger e tia de Chrys. Esta proximidade ajudou a criar uma base sólida de confiança, partilha e visão artística desde os primeiros momentos da banda.
O Chrys, atualmente estudante de Composição na Escola Superior de Música de Lisboa, traz para a banda uma forte componente académica e criativa, aliada às suas influências que vão desde o metal gótico ao post-hardcore. O Roger carrega décadas de paixão pelo rock e pelo metal, sendo um dos principais impulsionadores do projeto e alguém que sempre sonhou construir algo original dentro da música. A Sol trouxe a sua voz, sensibilidade e capacidade interpretativa, elementos fundamentais para a identidade emocional dos Musaphonia. Já o Léo, apesar da sua juventude, revelou desde cedo uma enorme dedicação ao baixo e uma maturidade musical que contribuiu para a consolidação da sonoridade da banda.
Com o crescimento natural do projeto, juntou-se posteriormente o Lobo, que acrescentou uma dimensão melódica e atmosférica muito importante através dos teclados e da sua formação musical. A sua entrada ajudou a reforçar a componente sinfónica e cinematográfica que hoje caracteriza grande parte da identidade dos Musaphonia.
O último elemento a integrar a banda foi o Gui. Apesar de ter sido o mais recente a juntar-se ao projeto, a sua entrada aconteceu de forma muito natural. As suas influências ligadas ao metal moderno e a sua versatilidade enquanto músico trouxeram uma nova energia à banda, complementando na perfeição a sonoridade que os Musaphonia vinham a desenvolver.
O resultado foi uma fusão muito natural de diferentes influências: rock, metal, música clássica, metal sinfónico e até elementos da cultura musical portuguesa. Em vez de vermos essas diferenças como obstáculos, encarámo-las como uma oportunidade para construir algo único.
Mais do que um grupo de músicos, os Musaphonia acabaram por se tornar uma família — literalmente em alguns casos. Somos pessoas de gerações diferentes, com percursos académicos, profissionais e pessoais distintos, mas unidas pela mesma paixão. Talvez seja precisamente essa diversidade que torna o nosso som tão especial e que nos permite contar histórias através de diferentes perspetivas, emoções e vivências.
O nome Musaphonia desperta curiosidade logo à primeira vista. Como nasceu esse nome e o que ele representa para a identidade da banda?
Musaphonia: O nome Musaphonia surgiu da combinação de conceitos ligados à música e ao som. No entanto, este não foi o primeiro nome que considerámos para a banda. Antes de chegarmos a Musaphonia, surgiram muitas outras ideias e passámos bastante tempo a discutir diferentes possibilidades. Queríamos encontrar um nome que não só soasse bem, mas que também representasse verdadeiramente aquilo que somos e a música que criamos.
Quando surgiu "Musaphonia", sentimos imediatamente que havia uma ligação especial. Era um nome que transmitia a ideia de uma linguagem musical própria, capaz de comunicar emoções profundas e unir as diferentes influências que coexistem dentro da banda. Para nós, Musaphonia representa precisamente isso: uma voz coletiva onde várias sonoridades, experiências e sensibilidades se encontram e se transformam numa identidade singular. É uma espécie de universo sonoro onde cada composição conta uma história e cada nota tem um propósito.
Formados em 2022, vocês alcançaram rapidamente o lançamento de um álbum completo e uma tour de divulgação. Como tem sido essa trajetória até aqui?
Musaphonia: Tem sido uma trajetória muito desafiante, mas também extremamente recompensadora. Muitas vezes, quando as pessoas veem um álbum lançado e concertos a acontecer, não imaginam tudo o que existe por trás. Nenhum de nós vive exclusivamente da música; temos os nossos trabalhos e alguns elementos da banda ainda estão a frequentar a universidade. Conciliar a vida profissional, os estudos e um projeto tão ambicioso como os Musaphonia exige muito sacrifício, dedicação e organização.
Além disso, cada membro da banda tem a sua própria realidade e responsabilidades. A nossa vocalista, para além da sua vida profissional, é também mãe de uma criança pequena. Como devem imaginar, gerir todas estas dimensões da vida não é tarefa fácil. Enquanto banda, procuramos ser compreensivos e apoiar-nos mutuamente, porque acreditamos que conciliar a maternidade, uma carreira profissional e ainda a dedicação exigida por um projeto musical é algo que requer uma enorme capacidade de entrega e resiliência. Temos um enorme respeito pelo esforço que isso representa.
Ao longo deste percurso já passámos por altos e baixos, momentos de grande entusiasmo e também fases mais complicadas, em que foi necessário encontrar forças para continuar. No entanto, acreditamos profundamente naquilo que estamos a construir e isso tem sido o combustível para ultrapassar todas as dificuldades. Cada conquista, por mais pequena que pareça, tem um significado especial porque sabemos o trabalho, o tempo e os sacrifícios que foram necessários para a alcançar. Olhando para trás, sentimos orgulho no caminho percorrido e estamos motivados para continuar a crescer enquanto banda.

O novo álbum chama-se "GRITO". Que significado existe por trás desse título? O que os Musaphonia estão a gritar ao mundo através deste trabalho?
Musaphonia: "GRITO" simboliza a necessidade de expressão. É um grito de emoções acumuladas, de inquietações, de esperança, de revolta e de reflexão. Vivemos numa época em que muitas vezes as pessoas escondem aquilo que sentem, e este álbum surge como um convite para enfrentar essas emoções sem medo. O nosso grito não é apenas de protesto; é também um grito de existência, de identidade e de liberdade criativa.
Mas "GRITO" tem também uma forte ligação à nossa história e à nossa cultura. Muitas das emoções presentes no álbum foram inspiradas nas histórias dos navegadores portugueses que partiram para o mar durante longos períodos, deixando para trás as suas esposas, filhos e restantes familiares. Essas despedidas carregavam consigo sentimentos profundos de saudade, angústia, solidão, incerteza e esperança. Enquanto uns enfrentavam os perigos do oceano, outros ficavam em terra a viver a dor da ausência e a ansiedade de não saber quando, ou sequer se, voltariam a reencontrar os seus entes queridos.
De certa forma, este álbum procura dar voz a essas emoções intemporais. O "GRITO" é também o eco daqueles que partiram e daqueles que ficaram. É o reflexo da coragem, do sacrifício e da carga emocional que sempre fizeram parte da identidade do povo português e que continuam, ainda hoje, a encontrar espaço na nossa música.
O disco apresenta títulos muito marcantes, como "Maré Negra", "Saudade", "Angústia", "Superstição" e "Consílio dos Deuses". Existe um conceito que une estas composições ou cada música conta a sua própria história?
Musaphonia: Cada música possui uma narrativa própria, mas existe um fio condutor que atravessa todo o álbum. As canções exploram diferentes dimensões da condição humana: os medos, as crenças, as memórias, os conflitos internos e a procura de significado. Podemos dizer que "GRITO" é uma viagem emocional onde cada tema representa uma etapa diferente desse percurso.
"Maré Negra" foi escolhida como um dos cartões de visita desta nova fase da banda. O que torna esta música especial dentro do universo dos Musaphonia?
Musaphonia: “Maré Negra” reúne muitos dos elementos que definem a nossa identidade musical: intensidade, melodia, contraste e uma forte carga emocional. É uma música que representa o equilíbrio entre a agressividade do metal, a grandiosidade das influências sinfónicas e a sensibilidade que procuramos transmitir através das letras e da interpretação.
Ao mesmo tempo, “Maré Negra” tem uma sonoridade pesada, emocional e profundamente atmosférica. Não é uma música construída para causar um impacto comercial imediato; é uma música para ser sentida com calma, para ser absorvida. Talvez seja precisamente isso que lhe dá tanta força.
A forma como exploramos a ideia da “maré negra” remete para aquele sentimento de sermos consumidos pelos próprios pensamentos, pela ansiedade e pela solidão — como se estivéssemos constantemente a tentar voltar à superfície. A música procura transmitir essa sensação de forma natural, sem exageros na letra ou no instrumental, tentando sempre criar uma identidade própria.
Mais do que provocar uma reação instantânea, queremos que “Maré Negra” permaneça na mente de quem a ouve e deixe espaço para reflexão mesmo depois de terminar.
Na descrição da banda encontramos uma combinação muito interessante: rock, música clássica, metal e até influências do fado. Como acontece essa fusão durante o processo de composição?
Musaphonia: Acontece de forma muito orgânica. Normalmente começamos com uma ideia central — uma melodia, um riff, uma emoção ou até um conceito lírico — e deixamos que as influências apareçam naturalmente. Há momentos em que a música pede uma abordagem mais clássica, outros em que exige peso e agressividade, e outros ainda em que surge uma sensibilidade mais próxima do fado. O segredo está em servir a música e não os géneros.
No caso da nossa vocalista, apesar de não ser cantora de fado, existem influências muito evidentes desse universo na forma como interpreta e transmite as emoções. O seu timbre vocal, a intensidade da interpretação e a carga emocional que coloca em determinadas passagens acabam por remeter, de forma natural, para algumas das características mais marcantes da música portuguesa. Não é algo planeado ou forçado; faz parte da sua identidade enquanto cantora e das referências musicais com que cresceu.
Importa também referir que a nossa vocalista não tem formação musical formal, nem nunca teve. A sua voz é completamente natural e intuitiva, sendo trabalhada ao longo do tempo através da prática e da experiência dentro da banda. Esse desenvolvimento acontece em conjunto com o nosso baterista, Chrys ( devido a sua formação académica ), que a acompanha de perto no processo criativo e na construção das linhas vocais, ajudando a moldar e a direcionar a interpretação sem nunca perder a autenticidade da sua expressão.
Talvez seja precisamente essa mistura entre o metal sinfónico, as influências clássicas e essa sensibilidade vocal tão portuguesa que contribui para a sonoridade única dos Musaphonia. Procuramos absorver tudo aquilo que nos inspira e transformá-lo numa linguagem própria, sem receio de cruzar diferentes mundos musicais.
Ao ouvir algumas músicas, percebemos elementos que remetem à musicalidade portuguesa, seja através da interpretação vocal, das melodias ou da atmosfera das composições. De que forma a cultura portuguesa influencia o som dos Musaphonia?
Musaphonia: A nossa cultura faz parte de quem somos, por isso acaba inevitavelmente por se refletir na música. Existe uma certa melancolia, uma profundidade emocional e uma relação muito particular com temas como a memória, a saudade e o destino que são características marcantes da identidade portuguesa. Mesmo quando utilizamos linguagens musicais associadas ao metal ou ao rock internacional, essas raízes continuam presentes.
Em tempos em que muitas bandas optam por cantar em inglês, vocês escolheram construir uma identidade fortemente ligada à língua portuguesa. Essa decisão sempre foi natural para a banda?
Musaphonia: Sim, foi uma decisão muito natural. A língua portuguesa permite-nos expressar emoções e nuances de uma forma extremamente autêntica. Nunca sentimos necessidade de abdicar dessa identidade para comunicar com o público. Pelo contrário, acreditamos que a autenticidade é aquilo que torna uma banda verdadeiramente universal. Quanto mais genuínos formos, mais facilmente a nossa música encontrará pessoas que se identifiquem com ela.
Como a nossa vocalista, Sol, referiu numa outra entrevista: "Sou fã da língua portuguesa. É uma língua rica, bonita e carregada de emoção, capaz de transmitir sentimentos de uma forma muito particular." Essa visão acaba por refletir o pensamento de toda a banda. A língua portuguesa faz parte da nossa identidade, da nossa cultura e da forma como contamos as nossas histórias, sendo um dos elementos que mais contribui para a personalidade dos Musaphonia.
Dito isto, nunca fechámos a porta a outras possibilidades. Entre nós já foi discutida a hipótese de lançar uma ou outra música em inglês no futuro, sobretudo porque reconhecemos que é uma forma de chegar a novos públicos e expandir a nossa audiência além-fronteiras.
No entanto, não passa necessariamente por compor temas novos em inglês. Uma possibilidade que já debatemos dentro da banda é adaptar algumas músicas do nosso repertório para essa língua. Ou seja, pegar em temas que já fazem parte da identidade dos Musaphonia e apresentá-los numa versão em inglês, permitindo que a mensagem e a emoção das canções possam chegar a um público mais vasto sem perder a sua essência original.
Por isso, embora possam surgir versões em inglês de algumas músicas no futuro, a nossa prioridade continua a ser valorizar a nossa língua e as nossas raízes, porque acreditamos que é aí que reside uma parte importante daquilo que nos distingue enquanto banda.
Pelo menos, é assim que vemos as coisas neste momento. A música está em constante evolução e nós também. O futuro logo dirá que caminhos iremos seguir, mas uma coisa é certa: qualquer decisão será sempre tomada de forma natural e fiel à identidade dos Musaphonia.
O metal sinfónico possui nomes consagrados em diversos países. Como os Musaphonia procuram criar uma identidade própria dentro deste estilo?
Musaphonia: Respeitamos muito os grandes nomes do género, mas nunca tivemos como objetivo imitá-los. Procuramos construir uma identidade assente nas nossas próprias experiências, influências e contexto cultural. A presença da língua portuguesa, as referências à nossa cultura e a forma como misturamos elementos sinfónicos com sonoridades mais tradicionais ajudam-nos a criar um caminho próprio dentro do metal sinfónico.
A voz tem um papel muito importante na atmosfera da banda. Como é desenvolvido o trabalho de interpretação para transmitir toda a emoção presente nas músicas?
Musaphonia: Para nós, a voz é mais do que um instrumento; é o principal veículo emocional das canções. O trabalho de interpretação começa muito antes da gravação, através da compreensão profunda da letra e da mensagem que queremos transmitir, importa referir que as letras são mariotariamente escritas pela Sol. Procuramos que cada frase tenha intenção, que cada palavra carregue emoção e que a voz acompanhe a narrativa da música. O objetivo não é apenas cantar, mas fazer com que quem ouve sinta aquilo que sentimos ao criar cada tema.
Como já tínhamos referido, a Sol não tem formação musical formal, mas possui uma capacidade natural de transmitir emoções através da voz, num trabalho de procura constante pela melhor forma de servir cada música.
Talvez seja também por isso que muitas pessoas encontram na sua voz algumas referências à musicalidade portuguesa e até ao fado. Não porque seja uma cantora de fado, mas porque existe uma carga emocional, uma entrega e uma forma muito própria de contar histórias através da voz que acaba por criar essa ligação. No fundo, a voz da Sol tornou-se uma das assinaturas dos Musaphonia, ajudando-nos a transmitir a emoção, a saudade, a angústia e a intensidade que fazem parte do universo das nossas canções.
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A Metal World Web Radio agradece imensamente aos Musaphonia pela disponibilidade, simpatia e pela forma calorosa com que participaram desta edição do Bandas que Merecem o Mundo.
Desejamos muito sucesso à banda na divulgação do álbum "GRITO", na continuação da tour e em todos os projetos que ainda estão por vir.
E agora, o convite está feito!
🎙️ Neste sábado, 27 de junho, às 14h (horário de Brasília), acompanhe o programa "Bandas que Merecem o Mundo" e descubra toda a força, emoção e identidade dos Musaphonia, uma das mais promissoras bandas da nova geração do metal português.
E não deixem de acompanhar a banda nas redes sociais e streaming.
Musaphonia. Porque há bandas que merecem ser ouvidas. E há bandas que merecem o mundo.

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